 |
Interface Serial ATA para Discos Rígidos |
A grande vantagem do SATA é o fim os flat
cables, o que melhora a circulação interna do ar. O SATA também funcionará em
aplicações RAID do novo conector Serial ATA. A parte mais visível: uma redução
de 40 para apenas sete pinos nos cabos SATA.
Introdução
Do mesmo modo que a interface paralela IEEE 1284, vulgarmente conhecida como
porta de impressora, perdeu espaço para os novos padrões seriais como USB e
FireWire como padrão de comunicação entre dispositivos externos, chegou a vez da
interface IDE ATA abrir espaço para seu sucessor, o novo padrão Serial ATA,
ou simplesmente SATA. A primeira aplicação prática dessa tecnologia,
interligando um disco rígido da Seagate a um PC, foi apresentada no início de
2002 durante o Intel Developers Forum e as primeiras versões comerciais devem
chegar ao mercado ainda neste semestre, inclusive no Brasil, onde empresas como
a própria Seagate já estão se preparando para lançar o produto.
Numa época em que o ritmo de atualização de certos componentes de um
computador, como placas de vídeo e processadores, são medidos em meses é
impressionante saber que a interface IDE/ATA (abreviação de Integrated Drive
Electronics/AT Attachment) tem mais de 20 anos de idade e possui uma infinidade
de nomes que descrevem basicamente a mesma coisa: ATA, ATA/ATAPI, EIDE, ATA-2,
Fast ATA, ATA-3, Ultra ATA, Ultra DMA etc. Entretanto, é tempo de olhar para um
futuro no qual os bits de dados irão trafegar em fila e não mais lado a lado.
O Que é Serial ATA?
Como o próprio nome sugere, o padrão SATA baseia-se na transmissão de dados
no formato serial, ao contrário do padrão atual. Isso significa que os flat
cables, cabos utilizados pelas interfaces IDE/ATA, utilizam todas as suas 40
vias para enviar sinais em paralelo. De fato, no passado esse padrão até foi
chamado de PATA (Parallel ATA). O problema é que tantos fios montados lado a
lado estão sujeitos a vários tipos de interferência, o que torna esse meio de
comunicação cada vez mais sensível à medida que sua velocidade aumenta.
Com o uso de um novo algoritmo de comunicação serial e de um simples cabo de
quatro vias, cujo diâmetro não é maior que um cadarço de tênis, será possível
elevar o teto máximo de transmissão de dados inicialmente para 150 MB/s e, mais
à frente, para 300 MB/s e até 600 MB/s.
A Intel declarou recentemente que, pela visão da empresa, na próxima geração
de arquiteturas de E/S não existirá espaço para padrões paralelos nem
pseudo-seriais. A tendência é que as interfaces sejam totalmente seriais para
atender às futuras necessidades de desempenho dos novos sistemas. De fato, a
Intel nos últimos anos tem apoiado várias iniciativas nessa direção, algumas
bem-sucedidas como o padrão USB e outras nem tanto, como o Rambus.
Diferente dos atuais padrões IDE/ATA e SCSI, as conexões deverão ser ponto a
ponto para ser capazes de suportar elevadas taxas de transmissão e recepção de
dados. O objetivo é que os futuros computadores sejam equipados com o menor
número de pinos possíveis (reduzindo custos) e com a maior largura de banda em
cada uma das interfaces.
O padrão Serial ATA é resultante de uma iniciativa da Intel com mais 67
empresas, entre elas fabricantes de discos, computadores e componentes, e nasceu
da visão de que as próximas arquiteturas de computadores não serão compatíveis
com os atuais padrões de comunicação e consumo de energia. Para efeito de
comparação, imagine que os sinais utilizados na atual interface IDE/ATA
funcionam com 5 volts enquanto as novas especificações trabalham em tensões na
faixa de 250 mV.
Além disso, o padrão IDE/ATA possui algumas limitações que o mantiveram fora
de certos segmentos de mercado como o de servidores, que ainda preferem o bom e
velho padrão SCSI, não apenas por causa da maior largura de banda,
confiabilidade e menor tempo de acesso, mas pelo fato de o padrão IDE/ATA ser
uma interface pouco flexível não permitindo, por exemplo, a troca de um
periférico com o computador ligado, o que é chamado de hot-swap.
Esse problema será resolvido no SATA com o auxílio do sistema operacional. O
procedimento de troca será semelhante ao que acontece hoje quando retiramos um
cartão PCMCIA de um notebook: utiliza-se um applet que desativa o dispositivo
por software, permitindo sua remoção segura. Por essas características, os
dispositivos compatíveis com o novo barramento também serão totalmente "plug and
play", podendo ser configurados por software. O SATA incorporará esses recursos
a um preço mais acessível, além de oferecer um sistema de verificação de dados
mais eficiente de modo a torná-lo mais confiável.
Cabos Chatos
Em termos práticos, outra grande vantagem do Serial ATA é o fim da confusão
de fios e cabos dentro do computador. Nos dias de hoje, os flat cables mais
comuns (na forma de fita) são pouco flexíveis e quando mal posicionados no
interior do gabinete (quando não socados para dentro como numa mala cheia de
roupas), além de bloquear o acesso aos componentes da placa-mãe, ainda podem
dificultar a circulação de ar no interior do gabinete, aumentando a temperatura
interna do sistema.
Além disso, com a eliminação dos flat cables, os projetistas de hardware
terão liberdade para desenvolver novos tipos de gabinetes cujo desenho seria
impossível com os uso dos cabos convencionais.
Uma das preocupações do grupo de desenvolvimento do Serial ATA é que o
processo de transição da velha tecnologia para a nova seja a menos traumática
possível. A princípio, a implementação da interface será feita por meio de
placas de expansão e os discos rígidos convencionais poderão ser usados com
adaptadores. Empresas como a HighPoint Technologies já dispõem de uma linha
completa de chipsets para interfaces padrão SATA que estão sendo montadas em
placas PCI ou diretamente nas placas-mãe mais recentes do mercado. Existirão
adaptadores que serão instalados na porta de comunicação de um disco padrão
IDE/ATA de modo que ele possa trabalhar com SATA.
Com esse novo padrão, deixarão de existir os conceitos de unidades primária e
secundária ligadas no mesmo barramento. Apesar disso, acredita-se que, mais por
hábito do que por necessidade, o SATA terá quatro conexões para acomodar o mesmo
número de periféricos que a atual interface. Vale a pena observar também que, ao
contrário de outros padrões emergentes como o USB 2.0 ou IEEE 1394, as
aplicações do SATA estarão restritas aos dispositivos de armazenamento, não
havendo intenções de expandir seu uso para outros equipamentos externos, como
scanners e câmeras de vídeo.
O Futuro da Tecnologia
O SATA mal chegou ao mercado e o consórcio de empresas que apóiam essa
iniciativa já anunciou novas especificações chamadas Serial ATA II (2004) e III
(2007) que deverão oferecer larguras de banda de até 300 MB/s e 600 MB/s,
números impressionantes se levarmos em consideração que o atual padrão IDE/ATA
está em torno de 100 e 133 MB/s. Obviamente, a tecnologia de disco rígido também
deverá evoluir consideravelmente para acompanhar tamanha velocidade.
Do lado o computador, o SATA II e III irão trabalhar com o suporte de um novo
tipo de barramento de dados que deverá suceder o PCI – o PCI Express (conhecido
antes como 3GIO), que será capaz de trabalhar com tamanho tráfego de
informações. Seguindo o exemplo do SATA, o padrão SCSI também tenderá a se
tornar um padrão serial: conhecido como Serial Attached SCSI (SAS)
ele começará funcionando a uma velocidade de 300 MB/s, podendo chegar
posteriormente a 600 MB/s.
No futuro, a tecnologia SATA também deverá chegar aos notebooks, já que o uso
de cabos mais finos facilitará os projetos de portáteis. A empresa Molex já
anunciou a expansão de sua linha de conectores SATA para uso em notebooks e
servidores, nenhuma empresa faz isso por acaso.
[voltar]
|